Aarão e Miriam denegriram Moisés e por isso foram castigados; Miriam foi mesmo atingida de lepra (Nm 12,1.10). […] «Hei-de reduzir ao silêncio o que, às ocultas, calunia o seu semelhante», diz um salmo (100,5). Com a ajuda destas condenações da divina Escritura, que é «como uma espada de dois gumes» (Heb 4,12), extirpemos esse vício, evitando dizer mal dos nossos irmãos e ultrajar os santos, porque os detractores e os maldizentes são atingidos por uma espécie de lepra. […]

Não foram apenas os judeus que denegriram Moisés; são também os hereges, aqueles que não acolhem a Lei e os Profetas, que costumam acusá-lo, dizendo que Moisés foi homicida porque matou o egípcio (Ex 2,12) e lançando muitas outras blasfémias contra ele e contra os profetas. Devido a essas críticas, têm uma forma de lepra na alma; o seu «homem interior» está impuro (Ef 3,16) e por essa razão são «excluídos do acampamento» da Igreja (Lv 13,46). Assim, pois, os hereges que insultam Moisés e os membros da Igreja, que denigrem os seus irmãos e dizem mal do seu próximo têm também, indubitavelmente, uma alma leprosa.

Graças à intervenção do grande sacerdote Aarão, Miriam foi curada ao sétimo dia (Nm 12,15). Nós, porém, se formos atingidos pela lepra da alma devido à maledicência, manteremos esta lepra e permaneceremos impuros até ao fim da semana deste mundo, quer dizer, até à ressurreição; a menos que nos corrijamos no tempo da penitência, que nos voltemos para o Senhor Jesus e Lho supliquemos, a fim de sermos purificados pela penitência.




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