A Sagrada Escritura, confirmada pela experiência dos séculos, ensina à família humana que o progresso humano, tão grande bem para o homem, traz consigo também uma grande tentação: perturbada a ordem de valores e misturado o bem com o mal, os homens e os grupos consideram apenas o que é seu, esquecendo o que é dos outros. O mundo deixa assim de ser um lugar de verdadeira fraternidade, e o poder acrescido dos homens ameaça já destruir o próprio género humano.

Se alguém quer saber de que maneira se pode superar esta situação miserável, os cristãos professam que todas as actividades humanas […] devem ser purificadas e levadas à perfeição pela cruz e ressurreição de Cristo. Porque, remido por Cristo e tornado nova criatura no Espírito Santo, o homem pode e deve amar as coisas criadas por Deus. […]

O Verbo de Deus, pelo qual todas as coisas foram feitas, fazendo-Se homem e vivendo na terra dos homens, entrou como homem perfeito na história do mundo, assumindo-a e recapitulando-a (Ef 1,10). Ele revela-nos que «Deus é amor» (1Jo 4,8) e ensina-nos ao mesmo tempo que a lei fundamental da perfeição humana, e portanto da transformação do mundo, é o novo mandamento do amor (Jo 13,34). Dá, assim, aos que acreditam no amor de Deus a certeza de que o caminho do amor está aberto para todos e de que o esforço por estabelecer a universal fraternidade não é vão. Adverte, ao mesmo tempo, que este amor não se deve exercitar apenas nas coisas grandes, mas, antes de mais, nas circunstâncias ordinárias da vida. Suportando a morte por todos nós pecadores, ensina-nos com o seu exemplo que também devemos levar a cruz que a carne e o mundo fazem pesar sobre os ombros daqueles que buscam a paz e a justiça.




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