A vida presente é um caminho que conduz ao termo da nossa esperança, tal como se vê nos rebentos o fruto que começa a sair da flor, e que, graças a ela, chega à existência de fruto, apesar de a flor não ser o fruto. De igual modo, a seara que nasce das sementes não aparece imediatamente com a espiga: é a planta que desponta primeiro; em seguida, uma vez morta a planta, surge a haste de trigo e depois o fruto maduro no alto da espiga. […]

O nosso Criador não nos destinou à vida embrionária; o objectivo da natureza não é a vida dos recém-nascidos. Ela também não visa as épocas sucessivas que se renovam com o tempo pelo processo de crescimento que lhes altera a forma, nem a desagregação do corpo que sobrevém à morte. Todos esses estados são etapas no caminho por onde avançamos. O propósito e o fim da caminhada através destas etapas é a semelhança com o Divino […]; o fim esperado da vida é a beatitude. Mas hoje, tudo o que diz respeito ao corpo – a morte, a velhice, a juventude, a infância e a formação do embrião – todos esses estados, como outras tantas plantas, hastes e espigas, formam um caminho, uma sucessão e um potencial que permite a maturidade esperada.




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