Coloquemos perante o nosso olhar interior um ferido grave prestes a exalar o último suspiro. […] A ferida da alma é o pecado, de que as Escrituras falam nestes termos: «Tudo são feridas, contusões, chagas vivas que não foram curadas nem ligadas nem suavizadas com óleo» (Is 1,6). Tu que estás ferido, reconhece o teu Médico dentro de ti e mostra-Lhe as chagas dos teus pecados. Que Ele ouça os gemidos do teu coração, Ele que conhece todos os pensamentos secretos. Que as tuas lágrimas O comovam. Vai a ponto de seres um pouco impertinente na tua súplica (cf Lc 11,8). Do fundo do teu coração envia-Lhe sem cessar suspiros profundos.

Que a tua dor chegue até Ele para que Ele te diga também: «O Senhor perdoou o teu pecado» (2Sam 12,13). Grita com David, que disse: «Tende piedade de mim, Senhor […], segundo a Vossa grande misericórdia» (Sl 50,3). É como se ele dissesse: «Corro grande perigo devido a uma enorme ferida que nenhum médico pode curar, a menos que o médico todo-poderoso venha em meu auxílio.» Para esse médico todo-poderoso nada é incurável. Ele trata gratuitamente e com uma palavra devolve a saúde. Eu desesperaria de me curar se não confiasse no Todo-poderoso.




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