Os grandes da fé não tiravam partido algum do poder que detinham de operar maravilhas, confessavam que não tinham qualquer mérito nisso e que quem fazia tudo era a misericórdia do Senhor. Se alguém admirava os seus milagres, rejeitavam a glória humana com palavras recolhidas dos apóstolos: «Homens de Israel, porque vos admirais com isto? Porque nos olhais, como se tivéssemos feito andar este homem por nosso próprio poder ou piedade?» (At 3,12) No seu entender, ninguém devia ser louvado pelos dons e as maravilhas de Deus. […]

Mas por vezes acontece que homens inclinados ao mal, condenáveis em matéria de fé, expulsam demónios e operam prodígios em nome do Senhor. Foi disso que os apóstolos se queixaram um dia: «Mestre, vimos um homem expulsar os demónios em teu nome e quisemos impedi-lo, porque ele não anda connosco.» Ao que Cristo lhes respondeu: «Não lho proibais, pois quem não é contra vós é por vós.» Mas quando, no fim dos tempos, Lhe disserem: «Senhor, Senhor, não foi em teu nome que profetizámos, em teu nome que expulsámos os demónios e em teu nome que fizemos muitos milagres?», Jesus afirma que responderá: «Nunca vos conheci; afastai-vos de Mim, vós que praticais a iniquidade» (Mt 7,22ss).

E àqueles a quem Ele próprio concedeu a graça gloriosa dos sinais e dos milagres, o Senhor avisa que não se ensoberbeçam com isso: «Não vos alegreis porque os espíritos vos obedecem; alegrai-vos, antes, por os vossos nomes estarem escritos no Céu» (Lc 10,20). O Autor de todos os sinais e milagres chama os seus discípulos a guardar a sua doutrina: «Vinde», diz-lhes, «e aprendei de Mim», não a expulsar demónios pelo poder do Céu, nem a curar os leprosos, nem a dar luz aos cegos, nem a ressuscitar os mortos, mas, diz Ele: «Aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração» (Mt 11,29).




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