Em resposta à pergunta do jovem rico, Jesus tinha revelado como se podia aceder à vida eterna. Mas o jovem, entristecido com a ideia de ter de abandonar as suas riquezas, foi-se embora. E Jesus declarou: «É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha, do que um rico entrar no Reino de Deus.» Então Pedro, que se despojara de tudo, renunciando à sua profissão e à sua barca, que já não possuía sequer um anzol, aproximou-se de Jesus e perguntou-Lhe: «Quem pode, então, salvar-se?»

Repara na reserva mas também no zelo deste discípulo. Ele não diz: «Tu ordenas impossíveis, essa ordem é demasiado difícil, essa lei é demasiado exigente.» E também não se cala. Mas, sem faltar ao respeito e mostrando que estava atento aos outros, pergunta: «Quem pode, então, salvar-se?» É que, muito antes de ser pastor, já ele tinha alma de pastor; antes de ser investido de autoridade […], já se preocupava com a terra inteira. Um rico teria provavelmente feito essa pergunta por interesse, preocupado com a sua situação pessoal e sem pensar nos outros. Mas Pedro, que era pobre, não pode ser suspeito de ter feito a sua pergunta por esses motivos, mas porque se preocupava com a salvação dos outros, e queria aprender do Mestre como alcançá-la.

Daí a resposta encorajadora de Cristo: «Aos homens é impossível, mas a Deus não; pois a Deus tudo é possível.» Querendo dizer: «Não penseis que vos deixo ao abandono. Eu próprio vos assistirei em assunto tão importante, e tornarei fácil o que é difícil.» 




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