Hoje o Evangelho conta-nos que, estando o Senhor à mesa com Lázaro, que Ele tinha ressuscitado dos mortos, «Maria tomou uma libra de perfume de nardo puro, de alto preço, e ungiu os pés de Jesus». […] Esta Maria, lê-se no Evangelho, agradou muito a Cristo pela grandeza extraordinária da sua fé. Na passagem anterior, chorando a morte de seu irmão, fez com que o Senhor também chorasse, conduzindo à ternura o Autor da ternura. E, estando prestes a ressuscitar Lázaro da morte, o Senhor chora com Maria, para mostrar a sua própria ternura e os méritos dela. […] As lágrimas do Senhor mostram-nos o mistério da carne assumida; a ressurreição de Lázaro ilumina a força da sua divindade. […]

Vede a devoção e a fé desta santa mulher. Os outros estavam à mesa com o Senhor; ela unge-Lhe os pés. Os outros conversavam com o Senhor; ela, no silêncio da sua fé, enxuga-Lhe os pés com os cabelos. Os outros apareciam para as honras; ela, para o serviço. Mas o serviço de Maria teve mais valor aos olhos de Cristo do que o lugar de honra dos convivas. Aliás, […] o Senhor disse a seu respeito:«Em verdade vos digo: Em qualquer parte do mundo onde este Evangelho for anunciado, há-de também narrar-se, em sua memória, o que ela acaba de fazer» (Mt 26,13).

Qual foi então o serviço prestado por esta santa mulher, para que seja difundido no mundo inteiro, e seja proclamado cada dia? Vede a sua humildade. Ela não começou por ungir a cabeça do Senhor, mas os pés. […] Começou pelos pés, para merecer chegar à cabeça, porque humilhando-se seria exaltada, como está escrito, «e quem se exaltar será humilhado»(Mt 23,12). Ela humilhou-se para ser exaltada.




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