Cristo tem duas naturezas numa só pessoa: uma, segundo a qual é desde sempre; e outra, segundo a qual começou a ser no tempo. De acordo com o seu ser eterno, Ele conhece todas as coisas desde sempre; mas, enquanto nascido no tempo, aprendeu muitas coisas. Foi por isso que, quando começou a ser no tempo, feito carne, começou a conhecer as misérias da carne, e a conhecê-las segundo o tipo de conhecimento que vem da fraqueza da carne.

Teria sido mais favorável e mais sensato os nossos primeiros pais não terem adquirido este conhecimento, porque para o adquirirem tiveram de passar pela loucura e pelo infortúnio. Mas Deus, seu Criador, vindo em busca do que estava perdido, teve piedade da sua obra e veio ao seu encontro: misericordiosamente, desceu Ele próprio até onde eles estavam miseravelmente caídos. Quis experimentar na sua própria pessoa o que eles sofriam por terem agido contra Ele; não o fez, naturalmente, movido pela curiosidade, como eles, mas por uma caridade admirável; não o fez para permanecer com eles na miséria, mas para Se tornar misericordioso e os livrar da sua miséria.

Portanto, Cristo tornou-Se misericordioso, não com a misericórdia que já tinha, na sua felicidade eterna, mas com aquela que encontrou nas nossas vestes de carne, experimentando Ele próprio a miséria.




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