Olhemos bem para estes cegos de Jericó do Evangelho de S. Mateus: eles valem mais do que muitos dos que ali vêem claramente. Não tinham ninguém que os guiasse nem podiam ver Jesus a aproximar-Se. No entanto, esforçaram-se por chegar junto dele: puseram-se a gritar em altos brados; tentaram calá-los, mas eles gritavam com mais força ainda. Assim é uma alma enérgica: os que querem pará-la redobram-lhe o ímpeto.

Cristo permite que tentem calá-los para que o seu fervor melhor se revele e para te demonstrar que esses cegos eram merecidamente dignos de serem curados. É por isso que não lhes pergunta se têm fé, como tantas vezes fazia: os seus gritos e esforços para dele se aproximarem eram o bastante para mostrar a fé que tinham. Aprende com isto, meu querido amigo, que, apesar da nossa baixeza e miséria, se nos dirigirmos a Deus com todo o coração, poderemos obter aquilo que pedimos. Em todo o caso, olha bem para estes dois cegos: tinham apenas um discípulo para os proteger, muitos lhes impunham silêncio; e no entanto, conseguiram triunfar sobre todos os impedimentos e chegar junto de Jesus. O evangelista não lhes assinala uma qualidade de vida excepcional: o seu fervor tudo suplantou.

Imitemo-los, também nós. Mesmo que Deus não nos conceda logo aquilo que Lhe pedimos, mesmo que muitos procurem afastar-nos da oração, não cessemos de Lho implorar. Porque é assim que melhor atrairemos os favores de Deus.




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