Deixai-me citar um salmo, dito pelo Espírito Santo a David; dizeis que tem a ver com Salomão, vosso rei, mas na verdade tem a ver com Cristo […]: «Ó Deus, concede ao rei a tua rectidão» (Sl 71,1). Como Salomão se tornou rei, dizeis que é dele que este salmo fala; mas as palavras do salmo designam nitidamente um rei eterno, que é Cristo. Porque Cristo foi-nos anunciado como rei, sacerdote, Deus, Senhor, anjo, homem, chefe supremo, pedra, criança por nascimento, como um ser de dor num primeiro momento, depois como um ser que se eleva aos céus, e que regressa na glória da sua realeza eterna […]

«Ó Deus, concede ao rei a tua rectidão e a tua justiça ao filho do rei, para que julgue o teu povo com justiça e os teus pobres com equidade […] Todos os reis se prostrarão diante dele; todas as nações o servirão.» […] Salomão foi um rei grande e ilustre, e no seu reinado foi edificada a casa a que chamamos Templo de Jerusalém; mas é claro que nada do que é dito no salmo lhe aconteceu: nenhum rei o adorou, nem o seu reino se estendeu até aos confins da Terra, nem os seus inimigos se curvaram a seus pés para lhes sacudir a poeira. […]

O «Senhor do universo» (Sl 23,10) não é Salomão; é Cristo. Assim que ressuscitou de entre os mortos e subiu aos céus, Ele ordenou aos príncipes que Deus nomeou no céu «para abrirem as portas» do céu, a fim de que «Aquele que é o Rei da glória entre» e suba para «se sentar à direita do Pai, até que faça dos inimigos escabelo para seus pés», como é dito noutro salmo (23,109). Mas quando os príncipes do céu O viram sem figura nem beleza, sem honra nem glória (Is 53,2), não O reconheceram e perguntaram: «Quem é esse Rei glorioso?» (Sl 23,8) O Espírito Santo respondeu-lhes então: «O Senhor do universo, eis o Rei glorioso». Com efeito, não foi de Salomão, que tanta glória teve enquanto rei […], que se pôde dizer: «Quem é ele, esse Rei glorioso?»




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