Onde poderá a nossa fragilidade encontrar repouso e segurança senão nas chagas do Salvador? […] Perfuraram-Lhe as mãos e os pés e, com uma lança, o lado. Por esses orifícios abertos posso saborear o mel dos rochedos (cf Sl 80,17) e o óleo que corre da pedra dura, isto é, «saborear e ver como o Senhor é bom» (cf Sl 33,9). Ele concebia pensamentos de paz (cf Jer 29,11) e eu não sabia. «Quem conheceu o pensamento do Senhor? Quem Lhe serviu de conselheiro?» (Rom 11,34) Mas o cravo que nele penetrou tornou-se para mim a chave que abre o mistério dos seus desígnios.

Temos de ver através dessas aberturas. Os pregos e as chagas gritam que, verdadeiramente, na pessoa de Cristo, Deus Se reconcilia com o mundo. O ferro trespassou o seu ser e tocou o seu coração para que Ele nunca mais ignore como Se há-de compadecer das minhas fraquezas. O segredo do seu coração aparece a nu nas chagas do seu corpo; vê-se a descoberto o grande mistério da sua bondade, essa ternura misericordiosa do nosso Deus, «que das alturas nos visita como sol nascente» (Lc 1,78). E como poderia essa ternura deixar de se manifestar nas suas chagas? Seria difícil mostrar mais claramente que pelas tuas chagas, Senhor, que Tu és manso e compassivo e duma grande misericórdia, pois não há maior amor do que dar a vida (Jo 15,13) pelos condenados à morte

Todo o meu mérito é, pois, a piedade do Senhor e nunca me faltará mérito enquanto não Lhe faltar piedade. Se as misericórdias de Deus se multiplicarem, os meus méritos serão numerosos. Mas que acontecerá se eu tiver uma grande quantidade de faltas a censurar-me? «Onde abundou o pecado, superabundou a graça» (Rom 5,20). E se «a bondade do Senhor é para sempre» eu, por mim, «cantarei eternamente as misericórdias do Senhor» (Sl 102,17; 88,2). Será esta a minha justiça? Senhor, farei memória da tua justiça, porque ela é a minha justiça, pois para mim Te tornaste justiça de Deus (cf Rom 1,17).




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