Vivo sem viver em mim;
E minha esperança é tal,
Que morro de não morrer.

Vivo já fora de mim
Desde que morro de amor;
Pois vivo no Senhor
Que me quis para Si.
Quando Lhe dei o coração,
Nele inscreveu estas palavras:
Morro de não morrer. […]

Ah! que triste é a vida
Que não se alegra no Senhor!
E, se o amor é doce,
Não o é a longa espera;
Livra-me, meu Deus, desta carga,
Mais pesada que o ferro,
Pois morro de não morrer.

Vivo só da confiança
De que um dia hei-de morrer,
Pois pela morte é a vida
Que a esperança me promete.
Morte em que se ganha a vida,
Não tardes, que te espero,
Pois morro de não morrer.

Vede como é forte o amor (Cant 8,6);
Ó vida, não me sobrecarregues!
Vê o que apenas resta:
Para te ganhar, perder-te! (Lc 9,24)
Venha ela, a doce morte!
Que minha morte venha bem cedo,
Pois morro de não morrer.

Esta vida lá do alto,
Que é vida verdadeira,
Até que morra a vida cá de baixo
Enquanto se viver não se a tem.
Ó morte, não te escondas!
Que viva porque morro já,
Pois morro de não morrer.

Ó vida, que posso eu dar
A meu Deus, que vive em mim,
Senão perder-te, a ti,
Para merecer prová-Lo!
Desejo, morrendo, obtê-Lo,
Pois tenho tal desejo do meu Amado
Que morro de não morrer.




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