Ó caridade, como és boa e rica! Como és poderosa! Não possui nada aquele que não te possui. Tu foste capaz de fazer de Deus um homem. Tu fizeste-O abaixar-Se e afastar-Se durante algum tempo da sua imensa majestade. Tu mantiveste-O prisioneiro durante nove meses no seio da Virgem. Tu curaste Eva em Maria. Tu renovaste Adão em Cristo. Tu preparaste a cruz para a salvação do mundo perdido.

Ó amor, tu, para vestir aquele que está nu, contentas-te em ficar nu. Para ti, a fome é um repasto abundante, se um pobre esfomeado tiver comido do teu pão. A tua fortuna consiste em destinar tudo o que possuis à misericórdia. Só tu não te fazes rogado. Tu socorres os oprimidos sem demora, mesmo a expensas tuas, seja qual for a aflição em que estejam mergulhados. Tu és o olhar dos cegos, o pé dos coxos, o protetor fidelíssimo das viúvas e dos órfãos. Tu amas os teus inimigos, de tal maneira que ninguém consegue discernir a diferença que para ti existe entre eles e os teus amigos.

Tu, ó caridade, unes os mistérios celestes às coisas humanas e os mistérios humanos às coisas celestes. Tu és a guardiã do que é divino. És tu que, no Pai, tudo governas e ordenas; és tu a obediência do Filho; és tu que exultas no Espírito Santo. Porque és uma nas três pessoas, não podes ser dividida. Jorrando da fonte que é o Pai, vertes-te toda inteira no Filho sem te retirares do Pai. Com razão dizemos que «Deus é amor» (1Jo 4,16), porque só tu guias o poder da Trindade.




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