Que a vossa oração seja muito simples; uma só palavra bastou ao publicano e ao filho pródigo para obterem o perdão de Deus (cf Lc 15,21). […] Não rebusqueis palavras na vossa oração; quantas vezes o balbuciar simples e monótono das crianças não dobrou a vontade de seus pais? Não vos lanceis, pois, em longos discursos, para que o vosso espírito não se distraia na busca das palavras. Uma só palavra do publicano tocou a misericórdia de Deus; uma só palavra cheia de fé salvou o bom ladrão (cf Lc 23,42). O palavreado na oração enche o espírito de imagens e distrai-o, ao passo que uma só palavra tem, muitas vezes, o efeito de o concentrar. Sentis-vos consolados com uma palavra na vossa oração? Pois detende-vos nela, porque é o vosso anjo que reza convosco. Não vos sintais excessivamente seguros, mesmo que tenhais atingido a pureza, mas vivei em grande humildade e sentir-vos-eis confiantes. Ainda que tenhais subido a escada da perfeição, pedi perdão pelos vossos pecados; escutai o que diz São Paulo: «Sou o primeiro dos pecadores» (1Tim 1,15). […] Se estiverdes revestidos de mansidão e libertos de toda a cólera, não vos custará muito libertar o vosso espírito do cativeiro.

Enquanto não conseguirmos uma oração verdadeira, assemelhamo-nos aos que ensinam as crianças a dar os primeiros passos. Trabalhai para elevar o vosso pensamento ou, melhor, para o confinar às palavras da vossa oração; se a fraqueza da infância o fizer cair, erguei-o. Porque o espírito é instável por natureza mas Aquele que pode tudo fortalecer também pode estabilizar o vosso espírito. […] O primeiro degrau da oração consiste, pois, em expulsar com uma palavra simples as sugestões do espírito no próprio momento em que elas se apresentam. O segundo, em guardar o nosso pensamento apenas para o que dizemos e pensamos. O terceiro é a entrega da alma ao Senhor.




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