Tiago, filho de Zebedeu, chamado Tiago Maior, pertence, juntamente com Pedro e João, ao grupo dos três discípulos privilegiados que foram admitidos por Jesus em momentos importantes da sua vida.

Ele pôde participar, juntamente com Pedro e João, no momento da agonia de Jesus no horto do Getsémani e no acontecimento da Transfiguração de Jesus. Trata-se portanto de situações muito diversas uma da outra: num caso, Tiago com os outros dois Apóstolos experimenta a glória do Senhor, vê-O em diálogo com Moisés e Elias, vê transparecer o esplendor divino de Jesus; no outro, encontra-se diante do sofrimento e da humilhação, vê com os próprios olhos como o Filho de Deus Se humilha, tornando-Se obediente até à morte. Certamente a segunda experiência constitui para ele ocasião de uma maturação na fé, para corrigir a interpretação unilateral, triunfalista da primeira: ele teve de entrever que o Messias, esperado pelo povo judaico como um triunfador, na realidade não era só circundado de honra e de glória, mas também de sofrimentos e fraqueza. A glória de Cristo realiza-se precisamente na Cruz, na participação dos nossos sofrimentos.

Esta maturação da fé foi realizada pelo Espírito Santo no Pentecostes, de forma que Tiago, quando chegou o momento do testemunho supremo, não se retirou. No início dos anos 40 do século I, o rei Herodes Agripa, sobrinho de Herodes o Grande, como nos informa Lucas, «maltratou alguns membros da Igreja. Mandou matar à espada Tiago, irmão de João» (Act 12,1-2). […]

Portanto, de São Tiago podemos aprender muitas coisas: a abertura para aceitar a chamada do Senhor também quando nos pede que deixemos a barca das nossas seguranças humanas, o entusiasmo em segui-Lo pelos caminhos que Ele nos indica, para além de qualquer presunção ilusória, a disponibilidade para testemunhá-Lo com coragem, se for necessário, até ao sacrifício supremo da vida. Assim, Tiago o Maior, apresenta-se diante de nós como exemplo eloquente de adesão generosa a Cristo. Ele, que inicialmente tinha pedido, através de sua mãe, para se sentar com o irmão ao lado do Mestre no seu Reino, foi precisamente o primeiro a beber o cálice da paixão, a partilhar com os Apóstolos o martírio.




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