«Não devais a ninguém coisa alguma a não ser o amor mútuo» (Rom 13,8). Que dívida espantosa, irmãos, este amor que o apóstolo Paulo nos ensina a pagar, sem nunca cessarmos de ser devedores. Dívida feliz, esta, dívida sagrada, portadora de juros no céu, cumulada de riquezas eternas! […] Recordemos também as palavras do Senhor: «Amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, abençoai os que vos amaldiçoam, rezai pelos que vos caluniam» (Lc 6,27). E qual será a recompensa deste labor? […] «Sereis filhos do Altíssimo» (v. 35).

O apóstolo Paulo revela-nos o que será dado a estes filhos de Deus: seremos «filhos e também herdeiros, herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo» (Rom 8,17). Escutai, pois, cristãos, escutai, filhos de Deus, escutai, herdeiros de Deus, co-herdeiros de Cristo! Se quereis possuir a herança do vosso Pai, pagai a vossa dívida de amor, não só aos vossos amigos, mas também aos vossos inimigos. A ninguém recuseis este amor, que é o tesouro comum de todos os homens de boa vontade. Possuí-o, pois, todos juntos e, a fim de o aumentar, dai-o tanto aos maus como aos bons. Porque este bem, que apenas pode ser possuído em conjunto, não é da terra mas do céu; e a parte de um jamais reduz a parte de outro. […]

O amor é um dom de Deus: «O amor de Deus foi derramado em nossos corações, pelo Espírito Santo que nos foi concedido» (Rom 5,5). […] O amor é a raiz de todos os bens, da mesma maneira que, diz São Paulo, a avareza é a raiz de todos os males (1Tim 6,10). […] O amor está sempre satisfeito porque, quando mais multiplica os seus dons, mais abundantemente Deus no-los dispensa. Eis por que motivo, enquanto o avarento empobrece com tudo aquilo que açambarca, o homem que paga as suas dívidas de amor enriquece com tudo aquilo que dá.




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