Como lemos no Evangelho, quando o Senhor pregava e convidava os discípulos a comerem o seu corpo no mistério eucarístico para participarem na sua Paixão, alguns exclamaram: «Estas palavras são duras»; e desde então deixaram de andar com Ele. Tendo perguntado, porém, aos discípulos se também eles se queriam ir embora, eles responderam: «Para quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna.»

Pois bem, irmãos, também em nossos dias as palavras de Jesus são espírito e vida para alguns, e esses seguem-No. Mas a outros as mesmas palavras parecem-lhes duras, e por isso procuram noutro lado uma triste consolação. No entanto, a Sabedoria continua a levantar a sua voz nas praças, advertindo aqueles que andam pelo caminho largo e espaçoso que conduz à morte (Mt 7,13), para que mudem o rumo dos seus passos. «Durante quarenta anos essa geração desgostou-Me, e Eu disse: “É um povo de coração transviado”» (Sl 94,10). Uma só vez falou Deus. Sim, uma só vez, porque Ele fala sempre; uma só vez, porque a sua fala é contínua e eterna e nunca se interrompe.

Esta voz convida os pecadores a meditarem em seu coração, a corrigirem os pensamentos do seu coração, porque é a voz daquele que habita no coração do homem e aí fala. […] Se hoje ouvirmos a sua voz, não endureçamos os nossos corações (Sl 94,8). São quase as mesmas palavras, as que lemos no Evangelho e no profeta. Efectivamente, diz o Senhor no Evangelho: «As minhas ovelhas ouvem a minha voz» (Jo 10,27). […] «Ele é o nosso Deus e nós somos o seu povo, as ovelhas por Ele conduzidas. Oxalá ouvísseis hoje a sua voz: “Não endureçais os vossos corações”» (Sl 94,7-8).




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