Não há coisa mais doce para nós, meus irmãos, do que a voz do Senhor a convidar-nos. Pois na sua doçura o Senhor indica-nos o caminho da vida. […] Se quisermos habitar na morada do seu Reino, façamos boas ações; doutra maneira, nunca o conseguiremos. Como o profeta, interroguemos o Senhor nestes termos: «Quem, Senhor, poderá ser hóspede do vosso tabernáculo, quem poderá habitar na vossa montanha santa?» (Sl 14,1) A esta questão, meus irmãos, ouçamos o Senhor responder e mostrar-nos o caminho para esta morada: «O que leva uma vida sem mancha e pratica a retidão, e diz a verdade no seu interior, o que não calunia com a sua língua e não faz mal ao seu próximo» (vv. 2-3). […]

No temor do Senhor, estes homens não se vangloriam da sua boa conduta, pois consideram que o que há de bom neles não pode ser mérito seu, mas vem do Senhor […]: «Não a nós, Senhor, não a nós, mas aovosso nome dai glória» (Sl 113,1). Assim dizia o Apóstolo S. Paulo: «É pela graça de Deus que eu sou o que sou» (1Cor 15,10). […] E o Senhor diz no Evangelho: «Todo aquele que escuta estas minhas palavras e as põe em prática é como o homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha. Caiu a chuva, engrossaram os rios, sopraram os ventos contra aquela casa; mas não caiu, porque estava fundada sobre a rocha.»

Dito isto, o Senhor espera de nós que, em cada dia, respondamos com atos aos seus santos conselhos. Porque os dias desta vida são-nos dados como prazo para corrigirmos o que há de mal em nós; o Apóstolo diz: «Não sabes que Deus só é paciente para que tu mudes de vida?» (Rom 2,4) E o Senhor diz na sua ternura: «Não quero a morte do pecador, mas que se converta e que viva» (Ez 18,23).




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