Queridíssimos irmãos, se a vossa alma tem sede da fonte divina de que vou falar-vos, excitai essa sede e não a apagueis. Bebei, mas sem vos saciardes; porque a fonte viva chama-nos e a nascente da vida diz-nos: «Quem tiver sede, venha a Mim e beba» (Jo 4,37). […]

Vede de onde brota esta fonte: do lugar de onde desceu o pão; porque o pão e a fonte são um só: o Filho Unigénito, nosso Deus, Jesus Cristo Senhor, do qual devemos ter sempre sede. Mesmo que O comamos e O devoremos com o nosso amor, o nosso desejo provoca-nos ainda mais sede dele. Bebamo-lo continuamente com um amor imenso, como a água de uma nascente, bebamo-lo com avidez, e deliciemo-nos com o seu doce sabor. Porque o Senhor é doce e bom. Quer O comamos, quer O bebamos, teremos sempre fome e sede dele, porque Ele é para nós um alimento e uma bebida absolutamente inesgotáveis. […] Ele é realmente a fonte dos sedentos e não a dos satisfeitos. Ele convida os sedentos, que declara bem-aventurados (Mt 5,6), pois nunca bebem bastante, antes têm tanto mais sede quanto mais tiverem bebido.

Irmãos, desejemos, procuremos, amemos «a fonte da sabedoria, a Palavra de Deus nos céus» (Si 1,5); pois nela estão escondidos, como diz o Apóstolo, «todos os tesouros da sabedoria e da ciência» (Col 2,3). […] Se tens sede, bebe da fonte da vida; se tens fome, come o pão da vida. Felizes os que têm fome deste pão e sede desta fonte! […] Como é bom o que se pode saborear continuamente sem deixar de o desejar! Di-lo o profeta David: «Saboreai e vede como o Senhor é bom!» (Sl 33, 9)




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