Não podes perder a confiança em Deus nem desesperar da sua misericórdia; não quero que duvides nem que desesperes de te tornares melhor: porque, mesmo que o demónio tenha conseguido precipitar-te dos cumes da virtude até aos abismos do mal, muito mais Deus poderá chamar-te de novo para o cume do bem, e não só reconduzir-te ao estado em que te encontravas antes dessa queda, mas tornar-te muito mais feliz do que julgavas ser. Não percas a coragem, suplico-te, não feches os olhos à esperança do bem, não te aconteça o que acontece aos que não amam a Deus; porque não é o grande número de pecados que leva a alma ao desespero, mas o desdém para com Deus. «É próprio dos ímpios, diz o Sábio, desesperar da salvação e desdenhar dela quando caíram no fundo do abismo do pecado» (Pr 18,3, Vulg).

Assim pois, todo o pensamento que nos rouba a esperança da conversão provém da impiedade e, qual pedra pesada que nos amarraram ao pescoço, força-nos a olhar para baixo, para a terra, não permitindo que levantemos os olhos para o Senhor. Mas aquele que tem um coração corajoso e um espírito esclarecido sabe soltar do pescoço esse peso detestável. «Como os olhos do servo se fixam nas mãos do seu amo, e como os da serva nas mãos da sua ama, assim os nossos olhos estão postos no Senhor nosso Deus, até que tenha piedade de nós» (Sl 123,2-3)




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