Há uma «sabedoria de Deus, misteriosa e oculta, que, desde antes dos séculos, Deus antecipadamente nos destinou» (1Cor 2,7). Esta sabedoria de Deus é Cristo, que é «poder de Deus e sabedoria de Deus» (1Cor 1,24). […} No Filho, com efeito, «encontram-se escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento» (Col 2,3); oculto no mistério, destinado desde antes dos séculos, Ele é o que foi predestinado e prefigurado na Lei e nos profetas.

Por isso, os profetas tinham o nome de «videntes» (1Sam 9,9): porque viam Aquele que estava escondido e era desconhecido dos outros. Também Abraão «viu o seu dia e rejubilou» (Jo 8,56). Para Ezequiel, os céus abriram-se, enquanto para o povo pecador permaneciam cerrados. «Retirai o véu de cima dos meus olhos», diz David, «e contemplarei as maravilhas da vossa Lei» (Sl 118,18). Na verdade, a Lei é espiritual e, para a compreender, é preciso que seja «afastado o véu» e que «a glória de Deus seja contemplada de rosto descoberto» (2Cor 3, 16-68).

No Apocalipse, mostra-se um livro fechado com sete selos (Ap 5,1). […] Quantos homens que se pretendem instruídos têm nas mãos um Livro selado! São incapazes de o abrir, a menos que seja aberto por «Aquele que tem a chave de David; se Ele abrir, ninguém o fechará, e se Ele fechar ninguém o abrirá» (Ap 3,7). No relato dos Actos dos Apóstolos (Act 8,26ss), o eunuco lia o profeta Isaías […]; contudo, ignorava Aquele que venerava no livro sem O conhecer. Surge Filipe e mostra-lhe Jesus oculto pela letra. Compreende, pois, que não podes perceber as Sagradas Escrituras sem teres um guia que te mostre o caminho.




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