O vinhateiro tem de cortar da sua vinha os rebentos maus. Se não o fizesse e se os deixasse no ramo bom, a vinha daria um vinho azedo e de má qualidade. Assim deve fazer o homem nobre: podar-se a si próprio de tudo o que está desordenado, cortar pela raiz os seus modos de ser e as suas inclinações, quer seja a alegria ou a dor, quer dizer, cortar os defeitos, sem afectar a cabeça, nem o braço, nem a perna.

Mas não uses a tesoura enquanto não tiveres percebido o que tens de cortar. O vinhateiro que não conhece a arte da poda cortará tudo, tanto o ramo bom que em breve dará a uva, como a ramo mau, e dará cabo da vinha. Assim fazem certas pessoas que não conhecem o ofício: deixam os vícios e as más inclinações no fundo da natureza, podando e cortando rente a pobre natureza em si mesma. Ora, a natureza em si mesma é boa e nobre; se a cortares, quando chegar o tempo dos frutos, quer dizer, da vida divina, apenas encontrarás uma natureza destruída.




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