Quando seria de esperar que se afastasse desanimada, a cananeia aproxima-se mais e, prostrando-se aos pés de Jesus, diz-lhe: «Socorre-me, Senhor!» Mas então, mulher, não O ouviste dizer: «Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel»? Ouvi, replica ela; mas Ele é o Senhor. […]

Foi por ter previsto esta resposta que Cristo adiou a concessão do pedido. Recusou a solicitação para lhe sublinhar a piedade. Se não quisesse conceder-lhe o que lhe pedia, não teria acabado por fazê-lo. […] As suas respostas não visavam magoá-la, mas atraí-la e revelar este tesouro escondido.

Considera porém, peço-te, não apenas a fé, mas a profunda humildade desta mulher. Jesus deu aos judeus o nome de filhos; a cananeia ainda lhes aumenta o título, chamando-lhes donos e senhores, tão longe se encontra de sofrer com o elogio a outrem: « Mas também os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa de seus donos» […] E é por essa humildade que é admitida no número dos filhos. Cristo diz então: «Mulher, é grande a tua fé.» Demorou-Se a pronunciar estas palavras e a recompensar esta mulher: «Faça-se como desejas.» Estás a ver, a cananeia desempenha um papel importante na cura de sua filha. Com efeito, Cristo não diz: «Que a tua filha fique curada», mas antes: «É grande a tua fé. Faça-se como desejas.» E observa ainda o seguinte: ela conseguiu aquilo que os apóstolos não tinham conseguido. Tal é poder de uma oração perseverante.




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