Quando o próprio Cristo diz a propósito do pão: «Isto é o meu corpo», quem poderá hesitar? E quando afirma: «Isto é o meu sangue», quem poderá duvidar? De outra vez, em Caná da Galileia, Jesus tinha transformado a água em vinho, no vinho que é irmão do sangue. Quem poderá pois recusar-se a acreditar que Ele transforma o vinho em sangue? Convidado para um casamento humano, operou aquele milagre espantoso; pois com muito mais razão, quem poderá recusar-se a reconhecer que Ele concede «aos companheiros do Esposo» (Mt 9,15) a alegria do seu corpo e do seu sangue?

Porque o seu corpo é-te dado sob a aparência de pão e o seu sangue sob a aparência de vinho a fim de que, tendo participado do corpo e do sangue de Cristo, sejas com Ele um mesmo corpo e um mesmo sangue. Desta forma, tornamo-nos «portadores de Cristo» («cristóforos«). O seu corpo e o seu sangue penetram nos nossos membros, tornando-nos participantes da natureza divina. Conversando com os judeus, Cristo dizia-lhes: «Se não comerdes a Minha carne e não beberdes o meu sangue, não tereis a vida em vós» (Jo 6,54). Se o pão e o vinho te parecem puramente naturais, não te detenhas neles. […] Se os teus sentidos te afastam do verdadeiro caminho, que a tua fé te conforte.

Por isso, quando te aproximares para O receber, não avances sem respeito, estendendo as palmas das mãos com os dedos afastados. Mas, uma vez que na tua mão direita vai repousar o teu Rei, faz-Lhe um trono com a mão esquerda e, recebendo o corpo de Cristo no côncavo da tua direita, responde: Amen!




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