Se, fazendo um esforço de vida perfeita, limpares as escórias do teu coração, a bondade divina brilhará de novo em ti. É o que acontece com um pedaço de metal quando a pedra de amolar lhe tira a ferrugem: anteriormente, estava enegrecido, mas depois brilha ao sol. Do mesmo modo, o homem interior, a que o Senhor chama «o coração», quando estiver limpo das manchas de ferrugem que alteravam e deterioravam a sua beleza, encontrará a semelhança do seu modelo (Gn 1,27) e será bom. Porque o que se torna semelhante à bondade é necessariamente bom. […]

E assim, aquele que tem o coração puro torna-se feliz (Mt 5,8) porque, ao redescobrir a sua pureza, descobre também, através desta imagem, a sua origem. Aqueles que vêem o sol num espelho, mesmo que não fixem o céu, vêem o sol na luz do espelho tão bem como se olhassem directamente para o disco solar. Também vós, que sois demasiado fracos para captar a luz, se vos voltardes para a graça da imagem colocada em vós desde o início, encontrareis em vós mesmos o que procurais.

Com efeito, a pureza, a paz da alma, o afastamento de todo o mal é a divindade. Se possuíres tudo isto, certamente possuis a Deus. Se o teu coração estiver afastado de todo o mau comportamento, livre de toda a paixão, puro de toda a sujidade, serás feliz porque o teu olhar será claro.




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