À primeira vista, um grão de mostarda é pequeno, vulgar e desprezível; não tem sabor, não exala cheiro, não deixa presumir doçura. Depois de ser triturado, contudo, difunde o seu odor próprio, dá mostras do seu vigor, tem um gosto de chama e queima com ardor tal, que a pessoa se espanta por encontrar tão grande fogo em grão tão pequeno. […] Assim também a fé cristã parece, à primeira vista, pequena, vulgar e frágil; não demonstra o seu poder, não faz alarde da sua influência. Mas, depois de ter sido triturada por várias provas, dá mostras do seu vigor, faz brilhar a sua energia, exala a chama da sua fé no Senhor. O fogo divino fá-la vibrar com um fulgor tal que, ardendo ela própria, aquece os que dela partilham, como disseram Cléofas e o companheiro quando o Senhor conversou com eles após a Paixão: «Não estava o nosso coração a arder cá dentro, quando Ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?» (Lc 24,32) […]

Podemos comparar o santo mártir Lourenço ao grão de mostarda. Triturado por múltiplas torturas, mereceu a graça de um martírio glorioso. Enquanto habitava o seu corpo, era humilde, ignorado e vulgar; depois de ter sido torturado, rasgado e queimado, difundiu sobre os fiéis de todo o mundo o bom odor da sua nobreza de alma. […] Visto de fora, este mártir ardia nas chamas de um tirano cruel; mas era consumido do interior por uma chama maior, a chama do amor de Cristo. Bem pode o ímpio rei juntar a lenha e acender uma fogueira intensa, que São Lourenço, no ardor da sua fé, já não sente essas chamas. […] Os sofrimentos deste mundo já não têm poder sobre ele; a sua alma habita no céu.




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