Cristo quis atrair a Si o mundo inteiro e conduzir para Deus Pai todos os habitantes da Terra. […] As gentes vindas do paganismo, enriquecidas pela fé em Cristo, beneficiaram do tesouro divino da proclamação que traz a salvação. Por ela, tornaram-se participantes do Reino dos Céus, companheiros dos santos e herdeiros das realidades inexprimíveis (Ef 2,19.3,6). […] Cristo promete a cura e o perdão dos pecados aos que têm o coração ferido, e dá a vista aos cegos. Pois são cegos os que não reconhecem Aquele que é o verdadeiro Deus, e o seu coração está privado da luz divina e espiritual. Mas o Pai envia-lhes a luz do verdadeiro conhecimento de Deus. Chamados pela fé, conheceram-No; mais ainda, foram conhecidos por Ele. Sendo filhos da noite e das trevas, tornaram-se filhos da luz (Ef 5,8), pois o dia iluminou-os, o Sol da Justiça ergueu-Se para eles (Mal 3,20), e a estrela da manhã apareceu-lhes em todo o seu esplendor.

E nada obsta a que apliquemos tudo o que acabamos de dizer aos filhos de Israel. Também eles, com efeito, tinham o coração ferido, eram pobres, e estavam como que prisioneiros e mergulhados nas trevas. […] Mas Cristo veio anunciar os benefícios do seu advento em primeiro lugar aos descendentes de Israel, proclamando o ano da graça do Senhor (Lc 4,19) e o dia da recompensa.

O ano da graça é aquele em que Cristo foi crucificado por nós. Foi então que nos tornámos agradáveis a Deus Pai. E damos fruto em Cristo, como Ele mesmo nos ensinou: «Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo deitado à terra não morrer, ficará só; mas, se morrer, dará fruto abundante» (Jo 12,24). E disse ainda: «Quando Eu for elevado da terra, atrairei todos a Mim» (Jo, 12,32). De facto, Ele retomou a vida ao terceiro dia, depois de ter calcado com os pés o poder da morte, após o que disse aos seus discípulos: «Foi-Me dado todo o poder no céu e na terra. Ide e fazei discípulos em todas as nações» (Mt 28,18-19).




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