Tenho de advertir cada um de vós a respeito da sua vinha; com efeito, quem de vós cortou já em si mesmo tudo o que é supérfluo, a ponto de poder pensar que nada mais tem de cortar? Crede no que vos digo: aquilo que é cortado renasce, os vícios combatidos regressam, e vemos despertar as tendências adormecidas. Não basta, pois, aparar a vinha uma vez, temos de voltar muitas vezes à mesma tarefa, se possível a toda a hora. Porque, se formos sinceros, encontramos constantemente em nós coisas a cortar. […] A virtude não consegue crescer entre os vícios; para que ela possa desenvolver-se, temos de os impedir de aumentar. Suprimi, pois, o supérfluo, e o necessário poderá então surgir.

Para nós, irmãos, continua a ser época de cortar, uma época que se impõe em permanência. Com efeito, estou certo de que já saímos do Inverno, desse temor sem amor que a todos nos introduz na sabedoria, mas que a ninguém faz desabrochar na perfeição. Quando surge, o amor expulsa esse temor como o Verão expulsa o Inverno. […] Cessem, pois, as chuvas do Inverno, quer dizer, as lágrimas de angústia suscitadas pela recordação dos vossos pecados e pelo temor do julgamento. […] Se «o Inverno passou», se «a chuva cessou» (Ct 2, 11) […], a doçura primaveril da graça espiritual indica-nos que chegou o momento de podarmos a nossa vinha. Que nos resta fazer, senão empenharmo-nos por completo nessa tarefa?




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