Dedica a audiência geral a recordar a figura do primeiro mártir dos doze

CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 21 de junho de 2006 (ZENIT.org).- O apóstolo Tiago o Maior ensina aos cristãos de todos os tempos que a glória está na Cruz de Cristo e não no poder, constatou Bento XVI nesta quarta-feira.

O pontífice dedicou sua intervenção na audiência geral a recordar a figura do irmão do apóstolo João, os «filhos do trovão», como eram chamados por Jesus, que, através de sua mãe pediram ao Senhor um lugar privilegiado em seu Reino.

Tiago se converteria no primeiro dos apóstolos em «beber do cálice da paixão» através do martírio em Jerusalém, a inícios dos anos 40 do século I.

Deste modo, ante os mais de 30 mil peregrinos congregados na praça de São Pedro no Vaticano, o Santo Padre continuou com a série de meditações sobre a Igreja e suas origens, nas quais está repassando as figuras dos doze apóstolos. Até agora apresentou as figuras de Pedro e André.

A praça de São Pedro encontrava-se sob um tremendo sol e temperaturas muito elevadas. O Papa, compadecido dos fiéis, abreviou sua intervenção, concentrando-se nos dois momentos decisivos da vida de Jesus que Tiago viveu de perto junto a Pedro e João: a transfiguração no monte Tabor e a agonia, no Horto do Getsêmani.

Esta última experiência, explicou Bento XVI, «constituiu para ele uma oportunidade para amadurecer na fé, para corrigir a interpretação unilateral, triunfalista da primeira: teve de perceber como o Messias, esperado pelo povo judeu como um triunfante, na realidade não só estava rodeado de honra e glória, mas também de sofrimento e debilidade».

«A glória de Cristo se realiza precisamente na Cruz, na participação em nossos sofrimentos», acrescentou.

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«Esse amadurecimento da fé foi levado a cumprimento pelo Espírito Santo em Pentecostes», preparando Tiago para aceitar o martírio nas mãos do rei Herodes Agripa.

O Papa recordou também os caminhos tradicionais nos quais se narra o ministério de Tiago como evangelizador da Espanha, seja antes de morrer ou depois de sua morte, com o translado de seu corpo a Compostela.

A intervenção do Papa concluiu tirando as lições que os cristãos podem aprender hoje de São Tiago: em particular, «a prontidão para acolher o chamado do Senhor, inclusive quando nos pede que deixemos a ?barca? de nossas seguranças humanas».

Do filho de Zebedeu é possível imitar, acrescentou, «o entusiasmo» para seguir Jesus «pelos caminhos que Ele nos indica, mais além de nossa presunção ilusória; a disponibilidade para dar testemunho dEle com valentia e, se é necessário, com o sacrifício supremo da vida».

«Deste modo, Tiago o Maior nos é apresentado como exemplo eloqüente de generosa adesão a Cristo», concluiu, vendo em sua vida terrena «um símbolo da peregrinação da vida cristã, entre as perseguições do mundo e os consolos de Deus».

«Seguindo Jesus, como São Tiago, sabemos, inclusive nas dificuldades, que vamos pelo bom caminho», assegurou.




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