padre_pio159

Autor: Pe. Juan Carlos Sack
Fonte: http://www.apologetica.org
Tradução: Carlos Martins Nabeto

– “Esta tradição [da transubstanciação] foi introduzida na Igreja por volta de 300 d.C. [e] tornou-se dogma de fé em 1215” (Marco de Vivo, evangélico).

– “Porque não recebemos estas coisas como se fossem pão comum e bebida comum, pois (…) nos ensinaram que o alimento convertido em Eucaristia (…) é a carne e o sangue Daquele Jesus que Se encarnou por nós” (São Justino, Mártir, século II).

– “Recebendo a palavra de Deus [na consagração, os dons do pão e do vinho] se convertem em Eucaristia, que é o corpo e o sangue de Cristo” (Santo Ireneu, Bispo, século II).

[Dando continuidade a esta Série, abordaremos hoje Teodoro de Mopsuéstia, Cirilo de Alexandria, Proclo de Constantinopla e Teodoreto de Ciro].

TEODORO DE MOPSUÉSTIA 

Bispo de Mopsuéstia, na Cilícia. Nasceu em 350 e morreu em 428. Com grandes talentos, tornou-se logo homem bastante versado nas Escrituras e na Teologia. Foi ordenado sacerdote. Escreveu muito contra todas as heresias do seu tempo. Foi ordenado Bispo de Mopsuéstia, na Ásia Menor. Participou do Concílio de Constantinopla. Conservam-se numeros escritos exegéticos, sermões, entre outros.

Este destacado pregador ensinava:

– “No entanto, é notável que, ao dar o pão, Ele não disse: ‘Isto é a figura (em grego, ‘tipos’) do Meu corpo’, mas: ‘Isto é o Meu corpo’. E o mesmo fez em relação ao cálice; não disse: ‘Isto é a figura (em grego, ‘tipos’) do Meu sangue’, mas: ‘Isto é o Meu sangue’. Isto porque Ele não quis que olhássemos para a natureza do pão e do vinho, que receberam a graça e a vinda do Espírito Santo, mas que os considerássemos como são: o corpo e o sangue do Senhor” (Homilias Catequéticas 15,10).

– “A oblação foi oferecida para que o que foi apresentado venha a ser, pela vinda do Espírito Santo, o corpo e o sangue de Cristo (…) Ainda que Ele venha até nós, dividindo-Se a Si mesmo [na distribuição do pão eucarístico], Ele está por inteiro em cada parte e próximo de todos nós. Ele se entrega a cada um de nós, para que O tomemos e O abracemos com todas as nossas forças e, assim, demonstremos o nosso amor para com Ele, no paladar de cada um de nós. Assim, o corpo e o sangue do Senhor verdadeiramente nos alimentam e nos fazem esperar sermos transformados em uma natureza imortal e incorruptível” (Homilias Catequéticas 16,25-26)[43].

Veja tambem  Bento XVI: «Deus não fracassa»

CIRILO DE ALEXANDRIA

Doutor da Igreja, combateu eficazmente a heresia nestoriana. Foi bastante ativo durante o Concílio de Éfeso. Morreu em 444. Conservam-se numerosos escritos exegéticos, entre outros mais.

A ideia da presença real da carne do Senhor na Eucaristia é matéria frequente nas obras deste importante Padre Oriental. Vejamos alguns textos:

– “O Verbo vivificante de Deus, ao unir-Se à Sua própria carne – do modo que [só] Ele sabe – a tornou vivificante, pois Ele disse: ‘(…) Eu sou o pão da vida (…)’. Portanto, quando todos nós comemos a carne do Cristo Salvador e bebemos o Seu precioso sangue, temos Vida em nós e somos uma só coisa com Ele, permanecendo Nele e também Ele em nós” (Explicação do Evangelho de Lucas 22,19).

– “A verdadeira bebida é o precioso sangue de Cristo, que extirpa pela raiz toda corrupção e destrói a morte que existe na carne humana, já que não é o sangue de um homem qualquer, mas a própria Vida por natureza. Por isso, somos chamados ‘corpo e membros de Cristo’, porque recebemos pela Bênção (=a Eucaristia) o próprio Filho em nós” (Comentário do Evangelho de João 4,2,56).

– “Demonstrativamente, disse: ‘Isto é Meu corpo e isto é Minha carne’, para que não penses que tudo isso é figura, mas que, por razão de algo inefável do Deus todopoderoso, as oblações [do pão e do vinho] se transformam verdadeiramente no corpo e no sangue de Cristo. Ao participarmos delas, recebemos a força vivificante e santificante do Cristo” (Comentário do Evangelho de Mateus 26,27).

PROCLO DE CONSTANTINOPLA

Patriarca de Constantinopla, morreu em 446 ou 447. Conservam-se alguns sermões e cartas.

Comentando as palavras do Senhor em sua aparição ao Apóstolo São Tomé, exclama:

– “Felizes os que com fé enxergam o Invisível! Felizes vós, que em cada festividade O enxergais, O levais aos olhos, O beijais com os lábios e O comeis com os dentes, sem consumi-Lo! Ó extraordinários mistérios, ó tremendos mistérios! Aquele que está sentado à direita do Pai é também encontrado nas mãos dos fiéis! Aquele a quem os anjos louvam é sustentado por mãos impuras e levado pelos indignos de O levarem. Nossas mãos pecadoras não queimam; nossos dedos condenáveis não queimam; o Criador (…) não destrói o barro, mas Ele mesmo exorta, dizendo: ‘Tomai e comei. Tomai e bebei. Trazei vossas mãos e colocai-nas no meu lado [aberto]; consumí os meus membros, porque seja qual for o membro que tomardes, Eu estou nele por inteiro; Eu mesmo, a quem Tomé tocou'” (Homilia 33: In novam dominicam et in infidelitatem Thomae 14,52-55).

Veja tambem  Miss Líbano e atriz: Jesus Cristo é a minha vida, sou cristã

TEODORETO DE CIRO 

Bispo de Ciro, na Ásia Meridional. Nasceu em 393 e morreu em 457. Douto conhecedor de teologia e exegese bíblica. Grande missionário da sua Diocese e lutador incansável contra o Paganismo. Membro ativo na disputa contra Nestório.

Personagem bastante ativo nas controvérsias cristológicas, tratando da Eucaristia explica:

– “Gozando dos sagrados mistérios, não nos unimos em comunhão com o próprio Senhor, do qual afirmamos que são o corpo e o sangue, já que todos participamos do mesmo pão?” (Interpretação de 1Coríntios 10,16-17).

– “O próprio Senhor não prometeu dar para a vida do mundo uma natureza invisível, mas Seu [próprio] corpo (…) E na instituição dos divinos mistérios, tomando o símbolo, disse: ‘Isto é o Meu corpo” (Carta 131)[44].

– “[O símbolo místico] não se chama apenas ‘corpo’, mas também ‘pão da vida’. Assim o chamou também o Senhor, ensinando que não é um corpo humano comum, mas [corpo] de Nosso Senhor Jesus Cristo, que é Deus e homem, eterno e recente” (Eranistes 2).

NOTAS:

[43] Certa expressão de Teodoro de Mopsuéstia tem dado o que pensar sobre a clareza do seu pensamento acerca da presença real de Jesus na Eucaristia, mas tratam-se de palavras de difícil interpretação encontradas nos seus escritos de especulação teológica, jamais na pregação da Fé aos fiéis. O texto em questão diz: “Receberemos a imortalidade comendo do pão sacramental, visto que, embora o pão não seja de tal natureza, no entanto, quando recebeu o Espírito Santo e a graça que Dele provém, é capaz de guiar para o gozo da imortalidade aqueles que o comem. Isto não ocorre por sua natureza, mas em virtude do Espírito Santo que habita nele; do mesmo modo que Nosso Senhor, de quem este [pão eucarístico] é figura, por virtude do Espírito Santo recebeu a imortalidade e a deu aos demais, não a possuindo verdadeiramente pela Sua própria natureza”. Notemos que no pão eucarístico a imortalidade é recebida porque esse pão recebeu o Espírito Santo; o Espírito Santo habita nele, ainda que logo a seguir seja dito que esse pão é “figura” do Senhor. É óbvio que nem tudo é símbolo, mas realidade salvífica, ainda que seja apresentado como “figura” do Senhor. Considerando os outros textos de Teodoro – já citados -, que explicitamente negam que o pão eucarístico seja tão somente uma “figura”, estas palavras devem ser lidas segundo esse contexto e devem ser sempre interpretadas à luz do que dissemos anteriormente sobre a questão da “figura” e do “tipo-antítipo” nos Padres [primitivos]. Assim, a teologia típica de Teodoro – segundo a qual a realidade está nos céus e aqui na terra tudo o que se encontra é figura – deve ser enquadrada no processo histórico de ajustamento da linguagem sobre o mistério eucarístico. Obras que tratam detalhadamente dessa matéria: W. de Vries, “Der ‘Nestorianismus’ Theodors von Mopsuestia in seiner Sakramentenlehre”: Orientalia Christiana Periodica 7 (1941), pp. 91-148; J. Lécuyer, “Le Sacerdoce Chrétien et le Sacrifice Eucharistique selon Théodore de Mopsueste: Recherches de Science Religieuse 36 (1949), pp.481-516. Não custa repetir aqui o que dissemos antes, a saber: que inclusive esta linguagem “figurativa” não poderia ser empregada pelos atuais adversários da doutrina da presença real, pois continua sendo demasiadamente realista.

Veja tambem  Bento XVI sonha com uma Igreja que sintetize unidade e anúncio do Evangelho

[44] Teodoreto fala frequentemente de “símbolos do corpo” ao abordar a Eucaristia, porém, esta maneira de falar refere-se às espécies ou aparências do pão, de modo que “o símbolo é tomado”, “é fracionado”, “é distribuído” etc.




Comentários no Facebook:

comments